Engº Jorge Viçoso (Bayer). Ensaio vinha
Os novos alquimistas!
15/1/2004, Engº António Villalobos
Os novos alquimistas.Há muitos anos atrás, na longínqua e remota Idade Média, o grande sonho dos “Químicos" da época, mais correctamente denominados de alquimistas, era a de encontrar uma fórmula que permitisse converter o chumbo em ouro. Séculos depois, nos dias de hoje, um exército de cientistas tem pela frente um desafio tão difícil, mas decerto bem mais real, do que aquele proposto pelos seu antepassados: Encontrar novos produtos que possam ser utilizados na agricultura e destinados à Protecção das Culturas.Todos os anos, nos laboratórios dos centros de investigação das grandes empresas multinacionais, são descobertas e sintetizadas um número verdadeiramente astronómico (na ordem das dezenas de milhar) de novas moléculas, das quais, muito provavelmente apenas uma (com grande sorte talvez duas) chegará a ser usada com o mesmo fim para que foi criada, isto é, passará à disposição dos agricultores. Mas até que essa nova molécula possa ser utilizada em larga escala pelos agricultores, terão decorrido pelo menos dez anos, período ao longo do qual é submetida aos mais rigorosos e diversos estudos que abrangem, entre outras, as áreas da toxicologia, ecotoxicologia, metabolismo e biologia, que pelos seus elevados custos e complexidade se encontram apenas ao alcance das grandes empresas.
De facto, e ao longo de uma década, a nova molécula deverá ultrapassar com êxito um sem fim de crivos de malha sucessivamente mais apertada até alcançar o registo. Este processo, cujo início coincide com a descoberta, ou a síntese, duma molécula e que termina com a obtenção do registo e a sua colocação no mercado, decorre de forma sequencial, obedecendo a uma ordem cronológica previamente estabelecida, embora com frequência, e com o intuito de ganhar tempo, possam existir estudos que decorrem em paralelo.
Ora uma das últimas etapas através da qual os novos produtos terão de passar, corresponde à sua experimentação nas condições de campo de cada país ou região, sendo essa uma das razões para que a Bayer CropScience possua um
Sector de Experimentação integrado na Direcção Técnica. Neste sector existem três técnicos de experimentação, a quem caberá a tarefa de conduzirem de todos os ensaios de campo planeados pela empresa. Com vários anos de experiência ao serviço da Bayer CS, os
três técnicos de experimentação desenvolvem o seu trabalho de Norte a Sul do país nas mais diferentes culturas e contra os mais diversos inimigos das culturas, devendo decorrer os ensaios nas condições comparáveis às da prática de campo do país ou da região. Só desta maneira é que os resultados obtidos na experimentação terão a aplicabilidade que se pretende ou serão extrapoláveis à prática corrente.
Se bem que o fim último de todo o trabalho desenvolvido por este sector seja o de obter dados que permitam completar os dossiers de homologação destinados ao registo de novos produtos,
as principais actividades levadas a cabo pelos Técnicos de Experimentação poderão ser resumidas da forma seguinte:Comprovar e comparar a eficácia, ou ineficácia, dos novos produtos no controlo de infestantes, pragas ou doenças.Neste tipo de ensaios são utilizados como termo de comparação outros produtos já existentes no mercado (produtos padrão). Pretende-se igualmente através destes ensaios, ajustar ou aferir as condições de utilização do novo produto (dose, número de tratamentos, época de aplicação) às condições específicas do nosso país.
Estudar e comprovar a susceptibilidade das culturas em relação aos novos produtos, ou seja, comprovar a sua fitocompatibilidade. Além da necessidade de proceder à pesagem da produção, neste tipo de ensaios é regra a utilização duma dose dupla daquela que se pretende registar. A importância e a necessidade destes estudos justifica-se, entre outras, pela especificidade de algumas das nossas variedades ou castas.
Ensaios para obtenção de alargamento de espectro. Neste caso são ensaiados produtos já existentes no mercado mas em novas culturas e/ou problemas.
Testar novas formulações.Condução de ensaios de resíduos. Através destes ensaios pretende-se avaliar o nível de resíduos que permanecem na parte comestível das culturas após a aplicação dos produtos. Os ensaios de resíduos compreendem uma parte de campo (aplicações dos produtos, colheitas de amostras, envio de amostras) e uma parte laboratorial (determinação dos valores de resíduos nas culturas), sendo a parte de campo da inteira responsabilidade dos técnicos de experimentação. Este tipo de ensaios são conduzidos de acordo com as normas GLP (Good Laboratorial Practice) ou traduzido para português BPL (Boas Práticas Laboratoriais), o que significa que é exigido um alto grau de precisão na sua condução assim como a necessidade de proceder a toda a documentação dos mesmos. Estes ensaios têm por finalidade completar os dossier’s europeus dos vários produtos, sendo por isso igualmente utilizados pela homologação nos diferentes países.
As crescentes exigências ao nível da homologação de produtos fitofarmacéuticos aliadas a uma maior especificidade e complexidade dos mesmos, tornam cada vez mais indispensável a função do experimentador, pois embora não caiba a eles o veredícto, na sua vertente técnica, sobre a viabilidade dos novos projectos, a sua opinião é certamente fundamental. Afinal de contas são os primeiros a tomarem contacto com os novos produtos, os quais terão que passar forçosamente pelas suas mãos antes de entrarem nos circuitos comerciais.

Engº Vítor Dias (Bayer). Ensaio tomate
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