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O Míldio da Videira

14/07/2009, Prof . Ivon Bugaret (ex-IRNA)
Originário da América do Norte, o míldio da videira, Plasmopra vitícola, é a doença mais temida pelos viticultores, constituindo os seus danos um importante obstáculo para a produção vitícola. Trata-se de um endoparasita obrigatório específico da videira.



DESCRIÇÃO E CLASSIFICAÇÃO DA DOENÇA

Plasmopara viticola (Berk. et Curt.) (Berl. et de Toni), o fungo responsável do míldio da vinha não pertence ao reino dos Fungos, mas sim ao reino dos Chromistas, Divisão Oomycota, Classe: Oomycetes; Ordem: Peronosporales; Família: Péronosporaceae.

Sintomatologia

Todos os órgãos verdes, não atempados, da videira são susceptíveis de serem atacados pelo míldio: folhas, flores, influorescências, pâmpanos e cachos.

Nas folhas, na sua página superior, observam-se manchas translúcidas com aspecto de “manchas de óleo", que tomam uma coloração amarela ou avermelhada consoante as castas (brancas ou tintas). Na zona coincidente das “manchas de óleo" na página inferior das folhas surge um enfeltrado branco correspondente ás frutificações conídiais do fungo, que são visíveis sobretudo com tempo húmido.

Nos pâmpanos, os sintomas podem ser observados precocemente ao nível do nó ou entre-nó (merítalo). Os tecidos afectados tomam uma coloração castanha e cobrem-se de um enfeltrado de micélio branco, Semelhante ao visível na face inferior das manchas de míldio das folhas. Quando o ataque é grave, os pâmpanos curvam-se em forma de “ S" e podem quebrar.

Nos cachos, os ataques precoces podem destruir as inflorescências, que são extremamente sensíveis antes da floração. Uma vez atacadas, as inflorescências ficam castanhas, engelham, secam e caem. Após a floração, as corolas das flores cobrem-se de frutificação brancas, dando uma aparência acinzentada, é o estado conhecido por “Rot Gris". O fungo continua o seu desenvolvimento após o vingamento, da mesma forma até ao estado bago em tamanho de grão de chumbo a grão de ervilha.

Ataques mais tardios são observados entre as fases dos estados de bagos em tamanho de grão de chumbo e fecho dos cachos, com o aparecimento do estado conhecido como “Rot brun". Os bagos apresentam zonas de depressão com uma coloração castanha ou púrpura a partir do pedicelo. Os estomas dos bagos deixam de ser funcionais, realizando-se a contaminação a partir do micélio presente no ráquis ou nos pedicelos. A falta de funcionalidade dos estomas impede a produção de frutificações.

No final da campanha, no Outono, as folhas atacadas, apresentam pequenas manchas de cor amarela ou castanha avermelhada, de forma poligonal, limitadas às pequenas nervuras, com aspecto de mosaico é a face “míldio de mosaico".

BIOLOGIA E EPIDEMOLOGIA

O fungo Plasmopara viticola hiberna sobre a forma de oósporos (frutificações sexuadas, ovos de Inverno), formados no final da temporada dentro do mesófilo das folhas caídas no chão. No interior das folhas as hifas do fungo originam gametângios: anterídeos e oogónios que por conjugação dão origem a esporos de parede espessa, os oósporos. Os Outonos e Invernos muito chuvosos promovem maturação dos oósporos, permitindo que estes tenham uma maturação mais precoce.

Após a maturação os oósporos, entram numa fase de germinação, quando a temperatura for superior a 11°C e na presença de água livre (queda de chuva mínima de 10mm em 24 horas). Nestas condições os oósporos germinam produzindo macroconídios ou zoosporângios que libertam zoósporos na água, graças aos seus flagelos ou cílios, que lhes permitem mobilidade na água, vão contaminar os jovens órgãos da vinha.

A penetração ocorre através dos estomas localizados na face inferior das folhas, onde os zoósporos penetram através da emissão de um tubo germinativo. Após um período de incubação cuja duração depende da temperatura média (ver quadro abaixo), os primeiros sintomas aparecem: manchas de aspecto oleoso nas folhas -Infecção Primária.

Após a frutificação das infecções primárias, o cenário de Infecções Secundárias sucessivas pode ocorrer sempre que ocorra uma chuva favorável ao fungo, atmosfera saturada, variando a duração do período de incubação com a temperatura. (Óptimo T. a 21ºC, T. máxima 30ºC).

A velocidade de germinação de conídios varia em função das condições climáticas que antecedem a sua reposição sobre os órgãos das videiras a contaminar.

Os ciclos do míldio podem assim suceder-se durante toda a fase vegetativa da videira, desde que as condições climáticas sejam favoráveis á doença. A receptividade da videira ao fungo é máxima durante o período de crescimento activo da vegetação. Os jovens lançamentos são muito receptivos. A videira contínua susceptível ao míldio durante todo o período vegetativo. As inflorescências são muito sensíveis, desde a pré-floração ao vingamento dos jovens bagos. Durante o crescimento dos bagos, estes mantém-se sensível desde a face “Rot Brun" até ao Pintor.

Meios de luta

De entre todas as doenças da vinha o míldio é a doença cuja protecção é a mais importante devido à sua frequência, ao seu longo período de actividade e á gravidade dos prejuízos que provoca. Parasita regular e temível é por toda a parte combatido em períodos de risco com a ajuda de fungicidas anti-míldio, aplicados a intervalos que variam em função da pressão do parasita, da velocidade de crescimento vegetativo e do risco de lavagem dos fungicidas.

Algumas vinhas estão estruturadas para permitir a luta e os tratamentos fungicidas. Assim nalgumas parcelas, recorre-se ao arrelvamentos na entrelinha para facilitar a passagem dos pulverizadores durante os períodos de chuva.

Outras regras gerais preventivas são as medidas profiláticas ligadas á condução da vinha e reconhecidas pelo seu valor prático. As principais recomendações são as seguintes:

> Favorecer uma boa drenagem do solo, evitando formação de poças de água.

> Eliminar com mobilizações mecânicas ou químicas (com recurso a herbicidas) do solo as jovens plantas resultantes das grainhas resultantes de bagos caídos no solo, afim de evitar as contaminações primárias.

> Controlar o vigor excessivo das cepas, através de uma correcta adubação, especial atenção ao excesso de adubações azotada, poda e rega.

> Eliminar na altura da poda invernal, os “ramos" ladrões da base das cepas (fonte primária para os ataques de míldio)

> Realizar uma empa precoce, com excepção do caso de vinhas com Eutipiose.

> Efectuar um corte fino da madeira resultante da poda, sarmentos, para evitar o risco de contaminação a partir de fragmentos mal triturados, que poderão enraizar na Primavera.

> Efectuar uma monda de folhas precoce realizada ao fim da floração de forma a assegurar o arejamento e a luminosidade dos cachos, diminuindo a duração de humectação dos cachos e desfavorecendo o desenvolvimento do parasita. Uma luta profilática bem conduzida não permite no entanto passar sem uma luta química. No entanto permite que esta se realiza nas melhores condições e com mais facilidade. O controlo químico é essencial para proteger correctamente a vinha.

No âmbito da protecção integrada é necessário intervir na altura correcta, em função do risco epidémico calculado e observado consoante o risco climático, o crescimento vegetativo e a organização do trabalho do viticultor.

Para isso, o viticultor pode-se apoiar nalgumas “ferramentas" de ajuda à decisão, que são utilizadas e recomendadas, tais como:

> A Gestão Climática feita com o auxílio de uma estação agro-metereológica implantada numa parcela representativa da vinha ou próximo, permite identificar os períodos climáticos favoráveis ao desenvolvimento do parasita.

> A Modelização precioso auxiliar que simula o desenvolvimento epidémico do míldio facilita a racionalização da sua luta. Os modelos de previsão (E.P.I, P.O.M., P.C.O.P.) permitem pr

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